quinta-feira, 2 de julho de 2009

Lay down your arms and I will lay down mine ...

Algumas amizades têm um poder de regeneração surpreendente. Por mais fundo que se corte, por mais separadas que as partes pareçam estar, quando se costura novamente, tudo volta ao que era. Nem sempre é assim, contudo. Algumas feridas não se resolvem com costura. As mais profundas – eu acho – precisam de tempo pra cicatrizar. E saber dar esse tempo é agir com prudência e sabedoria. Não adianta tentar costurar um tecido que está se desfazendo. Por mais que se faça o melhor, de uma maneira ou de outra, ele acaba rasgando de novo. Então, dar tempo ao tempo é o canal.

Não faz muito tempo tive problemas com um amigo. Não brigamos, na verdade, mas as pessoas mudam e na grande maioria das vezes nós não estamos dispostos a aceitar certas mudanças alheias (ainda mais quando achamos que são pra pior). Foi difícil aceitar, principalmente porque, chegou a um ponto que mais me fazia mal do que bem. Mas, no maior estilo dar-murro-em-ponta-de-faca, eu insisti, resisti bastante.

Acontece que diante de tantos conselhos de desistir, acabei dando um tempo. Não por abrir mão ou por renúncia, mas tão-somente pelo cansaço que dá de ver um amigo, tomado por novas possibilidades, se afastar sem sequer olhar pra trás.

Mas não seria o fim pra mim. Esperaria, então, porque no fundo eu sabia que, mesmo que demorasse cem anos, haveria o momento em que ele olharia pra trás. E quando esse momento finalmente chegasse, eu sabia, que ainda estaria ali.

Não levou cem anos pra que voltasse. Alguns meses, talvez. E eu me arriscaria a dizer que essa lacuna - esses meses de ausência - foi o que fez tudo se encaixar novamente. E, sem que fosse preciso costurar, o tecido se regenerou sozinho, porque somos amigos.

Um comentário:

Carlos Howes disse...

Às vezes o tempo de reconstrução é necessário, a melhor coisa a se fazer. Toda ferida precisa cicatrizar. =)