quarta-feira, 21 de abril de 2010

Carta

"Eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas que não se dizem costumeiramente, sabe? Dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, por que nunca se sabe nem como serão ditas, nem como serão ouvidas."

Tentei me afastar de você. Prometi a mim mesma uma semana sem qualquer contato. Mas só durou três dias. Meu problema é que eu não consigo resistir a você. É dessas coisas de que não sei se sou capaz. Ainda quando tudo era mais simples, sereno e calmo. Ainda quando tudo se tornou distante e amarelado. Quanto mais agora, no olho do furação.

Mas tenho estado mais tranquila. Pensei melhor. Te escrevo, - numa tarde agora fria e cinza, mas que já foi muito azul - enquanto assisto Nirvana tocar no Reading Festival. Não tinha o menor cabimento, eu sabia. E soube ainda mais ontem, como num rompante, que aquilo que eu achava que sentia por você era exatamente o que eu verdadeiramente sentia. O nome é que era outro. Talvez só resultado de fantasias e projeções, nada real. E eu ando meio rejection junkie. Você seria só mais uma prova irrefutável disso. Quem me quer, eu não quero. Not at all. Por isso eu quis querer você.

É bom entender suas intenções só de olhar. É bom olhar e ver. Que a maneira mais absoluta de aceitar alguém ou alguma coisa seria justamente não falar, não perguntar - mas ver. Em silêncio. Vai ver foi isso que me fez confundir. Por que faz um tempo agora em que meus momentos genuinamente bons têm se resumido a você.

Gostar assim é coisa linda! E me é tão simples e fácil! Não dá trabalho nenhum. Com esses seus olhos que mudam de cor, e esse jeito inconfundível: profundíssimamente hipocondríaco, completamente insano, mas sábio pra caramba, você desperta em mim sentimentos inacreditavelmente ternos, ao ponto de achar graça das suas tiranias e criancisses.

É com um orgulho desmedido que eu digo agora que me vejo em você e vejo tanto de você em mim também. Aceito hoje, com resignação e ternura, o que tantos já disseram. Somos muito parecidos, de jeito inteiramente diferentes: Somos espantosamente parecidos!

Me queira bem sempre!

Um beijo!"

3 comentários:

juliana disse...

Intenso e sereno, muito bom gostar assim. Lindo texto, linda vivência.

Marla C! disse...

Isso merece um "Porra, Igor" bem grande!

Michael disse...

huuum.... E quem seria esse amor todo, hein?