sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vergonha Alheia.

Hoje o dia era daqueles que prometia! Prometia tirar meu bom humor já de cara, pelo simples fato de ter audiência pra fazer nesta manhã. E devo salientar meu ódio mortal por esta parte da minha profissão. Os que advogam (e gostam!) que me desculpem, mas fazer audiência é uma merda!

Estou eu, com meus clientes aguardando a audiência (atrasada!) no 1º JECRIM, quando vejo entrar uma ex-colega de faculdade. Finjo que não vejo, pra evitar a falta de assunto que esse tipo de encontro quase sempre faz acarretar. Afinal, depois de 4 anos de formada, e com o pouco - ou nenhum - contato com meus colegas de turma, fica extremamente difícil prolongar uma conversa além do básico e casual "Oi! Tudo bem?".

Não adiantou muito, contudo. Ao que tudo indica, tomada por uma saudade universitária, a "colega" veio efusivamente ao meu encontro. Tentando demonstrar uma (imaginária) intimadade, começou a minha sessão de tortura.

Em que pese já estarmos formadas há mais de 4 anos, e mais ainda por nunca ter tido muito contato com ela durante os 5 anos de curso, minha BFF universitária resolveu, aos berros, relembrar momentos "históricos" durante a faculdade. Ela, chamando a atenção de todos os presentes na secretaria do Juizado Criminal - inclusive dos meus clientes -, contava, em muitos e muitos decibéis, derrota após derrota da sua desprezível vida escolar, chegando ao ponto de coroar aquele final de manhã com a frase: "eu era do tipo aluno cobra: SÓ PASSAVA RASTEJANDO".

Era uma espécie de stand up comedy às avessas, com a diferença de que as pessoas presentes não estavam rindo do que ela dizia. Estavam era rindo DELA. E eu, tentando me livrar daquele constrangimento e encerrar o papo a todo custo. Não logrei êxito! Meu suplício só teve fim quando (finalmente!) chamaram a minha audiência.

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OBSERVAÇÕES:
¹ A vantagem de advogar no crime é que a chance de encontrar um colega de faculdade é quase nula. Mas quando acontece... 
² Só vivendo a vergonha alheia pra ter noção da dimensão dela. Não há relato que chegue nem perto!

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